segunda-feira, 8 de junho de 2009

Meus sonhos mais lindos...*s*

I
Na noite escura, o trem de carga ia devagar pelos trilhos. As sombras das árvores passavam como vultos diferentes, iluminadas pelo luar. Estava cansada. Deitada sobre a palha, meio adormecida, sentia a respiração do homem em sua nuca. Não o via, apenas tinha a sensação da sua presença a seu lado, adormecido, respirando profundamente. Suas coxas grossas encostavam-se nas suas, e seu braço caia pesadamente sobre seu corpo. Era um braço forte, que a abraçava e protegia. Não se mexia para não atrapalhar seu descanso. Para onde iam? O trem parecia não ter destino, apenas o chacoalhar do vagão por meio da floresta. Uma sensação de paz a invadiu. Olhava para fora e sabia que era o vulto de um amor que a acompanhava na viagem do sonho.





II
Estava bonita naquelas roupas de camponesa. Os cabelos soltos, o sorriso largo, a sensualidade das vestes, parecia à vontade no meio daquela multidão apinhada na praça para a comemoração. Comemoração do que? Parecia ouvir algo como liberdade, como fim da tirania e sentia-se feliz com o que tinha acontecido naquele lugar. Havia uma cumplicidade no ar, nos gritos, na agitação popular. Participava contente, fazia parte daquela festa, daquele povo. Era o tempo da Revolução Francesa.





III Como todo final de tarde saía do colégio na companhia das amigas. Não via a hora de ultrapassar o portão e ir para a rua. Foi aí que veio a surpresa. Quando as folhas de ferro se abriram, deparou-se com um campo de trigo dourado pelo sol balançando ao vento como se a bailar. Ficou muda. Estática, admirando aquela paisagem nunca vista. Aventurou-se por ela e sentiu o vento em seus cabelos, os raios dourados em seu corpo, e caminhou feliz como se estivesse nos campos do Senhor.

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