
(texto escrito agora, depois de ler um comentário sobre meu post " A professora")
Não gosto de finais tristes a não ser em filmes.
Talvez por isso implique com filmes americanos. Sempre dão um jeito para que o The end seja sinônimo de felizes para sempre. Prefiro a imaginar o que seria.
Talvez por isso tenha tantas reticências em minha vida.
Talvez por isso tenha transformado em ficção a realidade da professora e tenha terminado a crônica antes do telefone tocar.
Ele tocou.
No meio de uma limpeza de casa ouço meu filho:
_ Mãe, é para você, o B.
Coração batendo forte como se fosse o mesmo de adolescente, a mente aflita, procurando uma saída para os mesmos problemas de sempre: Como vou ser a mesma agora? O que faço com essa repressão antiga que não se desconecta de mim? Por que não ajo como quero a essa altura da vida?
_ Alô... Oi, tudo bem?
Do outro lado a voz mais tímida, sem efeito da bebida, mas mesmo assim ciente do que queria, esperando minha reação.
_ Oi, tudo bem e você?
_ Ah, tudo ótimo. O que me conta, trabalhando muito?
E por aí foi a conversa, corriqueira, amigável, formal, sem dar chance a qualquer outra intenção que pudesse vir do lado de lá.
Mais alguns momentos e a despedida. Triste como são todas as despedidas do que não ousamos fazer.
Depois, o silêncio, a vida seguindo seu rumo.
Um ano depois, véspera de carnaval, na Escola de Samba onde sabia que poderia encontrá-lo, meus olhos perscrutavam os rostos, procurando o sorriso, as alas em formação, procurando o corpo, nada.
Fui olhar as fantasias, a idéia era sair na escola, mas queria a ala dele. Na ilusão que os fatos se repetem, têm continuidade, mesmo após meses em mundos paralelos. E nada acontecia.
Uma senhora simpática no atendimento.
Tinha acabado de sair do hospital, mas não resistiu a ir ao ensaio da Escola querida. Perguntei despreocupadamente sobre B, se o conhecia, que não o tinha visto, que era uma ex-professora.
A resposta chegou como um bloco de demolição.
_ Não sabe? B. passou muito mal por causa da diabete, ficou cego, aposentou-se por doença, foi para o interior. Ah! Mas já mandou recado que no carnaval vem para sair na ala. Você não estará aqui? Daí poderá vê-lo.
Mantive o sorriso, falei um pouco mais, reforçando o que me dizia sobre sua alegria de viver, mas por dentro algo havia se espatifado.
E a certeza que negara a ele e a mim algo bonito da vida.
Talvez por isso tenha transformado em ficção a realidade da professora e tenha terminado a crônica antes do telefone tocar.
Ele tocou.
No meio de uma limpeza de casa ouço meu filho:
_ Mãe, é para você, o B.
Coração batendo forte como se fosse o mesmo de adolescente, a mente aflita, procurando uma saída para os mesmos problemas de sempre: Como vou ser a mesma agora? O que faço com essa repressão antiga que não se desconecta de mim? Por que não ajo como quero a essa altura da vida?
_ Alô... Oi, tudo bem?
Do outro lado a voz mais tímida, sem efeito da bebida, mas mesmo assim ciente do que queria, esperando minha reação.
_ Oi, tudo bem e você?
_ Ah, tudo ótimo. O que me conta, trabalhando muito?
E por aí foi a conversa, corriqueira, amigável, formal, sem dar chance a qualquer outra intenção que pudesse vir do lado de lá.
Mais alguns momentos e a despedida. Triste como são todas as despedidas do que não ousamos fazer.
Depois, o silêncio, a vida seguindo seu rumo.
Um ano depois, véspera de carnaval, na Escola de Samba onde sabia que poderia encontrá-lo, meus olhos perscrutavam os rostos, procurando o sorriso, as alas em formação, procurando o corpo, nada.
Fui olhar as fantasias, a idéia era sair na escola, mas queria a ala dele. Na ilusão que os fatos se repetem, têm continuidade, mesmo após meses em mundos paralelos. E nada acontecia.
Uma senhora simpática no atendimento.
Tinha acabado de sair do hospital, mas não resistiu a ir ao ensaio da Escola querida. Perguntei despreocupadamente sobre B, se o conhecia, que não o tinha visto, que era uma ex-professora.
A resposta chegou como um bloco de demolição.
_ Não sabe? B. passou muito mal por causa da diabete, ficou cego, aposentou-se por doença, foi para o interior. Ah! Mas já mandou recado que no carnaval vem para sair na ala. Você não estará aqui? Daí poderá vê-lo.
Mantive o sorriso, falei um pouco mais, reforçando o que me dizia sobre sua alegria de viver, mas por dentro algo havia se espatifado.
E a certeza que negara a ele e a mim algo bonito da vida.
Um comentário:
ótimo texto, uma pena vc postar tão pouco.
Maurizio
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