terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Os Marcos


Minha mãe deu-me o nome de Marco.
Nome de imperador.
Obviamente era uma piada.
O único reino que impero
é o de minha poesia.
Assim mesmo, vez por outra,
é a musa que reina e dita as leis.
Nem aqui mando direito.
Meu imperialismo é de ilusão.
Sou fantoche até na poesia
que escrevo por prazer.
Marco sem S no final.
Sou singular!
Ser plural, seria uma empáfia
inadmissível e ridícula.
Já basta um.
Multiplicar é pedir demais
de minha própria prepotência.
Dentre os significados dos dicionários,
marco também é qualquer acidente
natural que pode ser aproveitado
como sinal de demarcação.
É isso: sou um acidente!
Antigamente, marco era dinheiro.
Evidente que é outra piada.
Eu mesmo não valho um vintém.
Poderia me descrever
como sendo fronteira
no sentido figurativo da palavra:
"- o marco da ignorância".
Me cai como uma luva.
Meu nome tem até feminino:
"- um enganador de marca maior".
Minha parceira ideal,
não há dúvidas.
Me furto de carregara
obrigação de ser rei
do que quer que seja.
Como também me recuso
a demarcar caminhos
e estabelecer limites.
Prefiro me fixar nas gírias
que o verbo me concede
com perfeita sintonia.
"- marco touca".
"- marco bobeira".
Eis aí os marcos que sou.



Marco Antonio Campos



3 comentários:

Pixu disse...

Que bela surpresa esse Marco! Trouxe sua marca, marcou fundo com seus versos...versos que parecem vir de Campos vastos, mesmo... Parabéns!

Elias Júnior disse...

Gostei.

Anônimo disse...

Comecei a ler e fui pensando nos Marco que conheci......adorei :)