Sou assídua leitora deste colunista.Posto algo que achei,entre tantas,interessante.
"Na Malhação, quando passei por ela, duas adolescentes discutiam.Ofendiam-se que era uma beleza, chamavam-se de tudo, mas a coisa não saía dos desaforos verbais comuns entre duas gurias que brigam. Foi quando uma delas, não tendo mais o que dizer à outra, chamou-a de gorda, sua gorda!
Aí o tempo fechou. A que foi “imperdoavelmente” chamada de gorda agarrou-se aos cabelos da “agressora”. É ou não é o fim dos tempos? Chamar de burra, disto e mais aquilo não ofende. Chame de gorda para ver o que é bom. E ser gordo, gorda, é ofensa?
Hoje é, virou ofensa no mundo das frivolidades das belezas de aparência. De aparência sim, essas coitadinhas que andam pelos corredores dos shoppings atirando o cabelo para um lado e para outro não têm nada debaixo dos cabelões, mas ai de quem as chame de gordas. Nunca leram um livro na vida, não têm modos, não têm personalidade para dizer não às vontades dos “bermudões”, são fracassos na escola, são amostras grátis do sexo orgíaco das noites de baladas, se acham, mas gordas nem pensar.
É a sociedade dos sem-valores, da esbeltez inane. Pois eu já não contei aqui de um imbecil que vendia alisador de cabelos na televisão e que teve o descaro de dizer que “crespa não dá, né?”
A garota da Malhação errou quando buscou ofender a rival chamando-a de gorda. A grande ofensa não é chamar de gorda, isso não desmerece ninguém. A grande ofensa seria chamá-la de cabeça-vazia. Só que as cabeças-vazias não se ofendem com isso..."
Luiz Carlos Prates
Nenhum comentário:
Postar um comentário